Hiperespaços: contextos e perspectivas
O Virtual
Virtual – palavra latina medieval – virtualis, derivada de virtus, força, potência...
Vivemos
hoje, uma intensa virtualização
em todos os aspectos de nossa vida e com a educação não é
diferente, todos os dias temos novas possibilidades dos novas
recursos e novas formas de ensinar e aprender.
Para
Lévy (1996) o
virtual
não se opõe ao real, mas ao atual: virtualmente e atualmente, são
duas maneiras de ser diferentes. A oposição do virtual não é ao
real, mas sim a algo que é atual, porque o
virtual
atualiza-se constantemente, não tem tempo de efetivar-se como algo
acabado, pois é dinâmico e está em constante movimento.
A
educação no virtual exige, novas formas de ensinar e aprender e
para tal, é necessário que se perceba as potencialidades e
possibilidades existentes, entender e compreender as característica,
elementos e possibilidades existentes no virtual:
Os
elementos e características que constituem o paradigma do virtual
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ELEMENTOS
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Virtual
Literacy
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Comunicação
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Pensamento
em rede
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Competência
em informação
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Competência
midiática
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Multiculturalismo
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Não-linealidade
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Creatividade
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CARACTERÍSTICAS
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O
Tempo e espaço
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A
Linguagem
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A
Interatividade
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Facilidade
de acesso ao conhecimento
|
Nessa
nova realidade educacional em que vivemos o processo ensino
aprendizagem vem a ser imensamente facilitado e enriquecido em novos
e potencias ambientes virtuais de aprendizagens, potencialidades
estas que não se estagnam na capacidade do recurso a ser utilizado,
pois facilmente combinamos esses recursos e ampliamos de forma
imensurável tais possibilidades. O ensino e a aprendizagem em
qualquer maneira que estes possam ocorrer seja presencialmente
(ampliando possibilidades), seja no ensino aprendizagem a distância
e ou ainda formal, não formal ou informalmente.
Na
prática, a forma do virtual são todos os recursos técnicos que se
apresentam, os programas de computador, os aplicativos, etc. O
conteúdo do virtual são as possibilidades que esses recursos
técnicos apresentam em cada aplicativo e que podem servir para
potencializar o aprendizado.
Exemplo
: A forma do virtual, o editor de texto. O conteúdo do virtual desse
aplicativo, são os recursos e as possibilidades que podem ser
utilizadas para o aprendizado como, por exemplo, a barra de desenho.
Ensinar
no virtual significa não somente utilizar ferramentas e aplicativos
da internet para que esse processo ocorra, mas principalmente saber
utilizar esses aplicativos, softwares, interfaces e recursos de duas
formas: como forma e como conteúdo.
Como
forma, As possibilidades que se apresentam: cores, animações,
letras, hiperlinks, recursos auditivos, formatos, vídeo, som,
imagens, etc... isso é um potencial para o trabalho educativo,
diferente de se trabalhar somente com os recursos não multimídias
das aulas comuns ou da educação tradicional
Como
conteúdo, O que as opções apresentadas pelo recurso tem como
conteúdo próprio, para potencializar informações, imagens e
produção de conhecimento.
Essas
interfaces multimídias ou também chamados recursos apresentam uma
série de elementos visuais e sonoros que facilitam e potencializam o
trabalho de ensino, tanto para o docente na construção de materiais
como para o aluno na sua própria construção de materiais e de
efetivações de seu aprendizado.
Na
realidade, quando o aluno constrói algo com a tecnologia está
demonstrando o que aprendeu utilizando a forma multimídia que tem
disponibilizada, mas o mais importante é o conteúdo que isso
apresenta e se pode visualizar de forma diferente da simples escrita
ou fala.
Para
aprender no virtual é necessário ter um perfil de uso que facilite
o que denominamos de hábitos ou ambiência de uso do virtual... ou
seja, elementos que compõem um uso contínuo. O
virtual
é por si só um espaço de aprendizagem contínua, que nos oferece
oportunidades de escolha e formas de escolha que nos ensina na medida
em que temos que ler, assimilar e aprender a utilizar tanto recursos
como opções e serviços disponibilizados.
Outros
benefícios são observados com o uso de Realidade Virtual em
educação. Clark [2006] sugere que a Realidade Virtual pode ser
usada para:
1)
tornar o aprendizado mais interessante e divertido com o objetivo de
melhorar a motivação e a atenção;
2)
reduzir custos, quando a utilização do objeto e do ambiente real
for mais dispendiosa que a simulação;
3)
possibilitar que se explorem situações que são impossíveis de
serem feitas no mundo real, por exemplo: explorar um planeta como
Marte, viajar dentro do corpo humano, fazer explorações submarinas
ou dentro de cavernas, visitar lugares muito pequenos para serem
vistos (moléculas) ou muito caros ou muito distantes, ou ainda
porque esse lugar está no passado (lugares históricos);
4)
acelerar o processo de aprendizagem;
5)
integrar habilidades e conhecimentos;
6)
aumentar a retenção através do reforço;
7)
aumentar a retenção através da sensação de realismo;
8)
melhorar a transferência de aprendizagem para o mundo real;
9)
acessar o conteúdo de aprendizagem em qualquer lugar e em qualquer
tempo (em caso de uso de Realidade Virtual na Internet);
10)
eliminar riscos e perigos para o ambiente, para o professor ou para o
aprendiz.
Devido
a esse último benefício, redução de riscos de acidentes, as
simulações têm sido cada vez mais utilizadas em treinamento
militar, na medicina e na aviação, em campos onde decisões e ações
dos aprendizes podem causar danos ou mortes.
O VIRTUAL COMO PARADIGMA PARA A EDUCAÇÃO
A
educação tradicional não atende mais por si só a realidade em que
vivemos, ignorando as características e potencialidades apresentadas
no virtual para ampliar e qualificar os espaços e objetivos
educacionais. Percebe-se atualmente a potência, a dinâmica do
virtual exigindo novas competências comunicativas, novas formas de
construção de conhecimentos, novos métodos, novas formas de
avaliar e por tanto, novas formas de ensinar e aprender.
Em
termos filosóficos, o virtual não se opõe ao real mas ao atual:
virtualmente e atualmente são apenas duas maneiras de diferentes de
ser, o virtual é permanentemente atualizado, não se opõem ao real,
mas ao atual, é atualizado constantemente, não tem tempo de ser
algo acabado, por que é dinâmico, está em constante movimento de
atualização. A virtualização é um processo de subjetivação e
abstração. Ontologicamente o real, o possível, atual e o virtual
se completam o tempo todo assim como os pensamentos, as ideias, os
conceitos as coisas e as ações. Os elementos e características do
virtual em sua base estrutural, servem como indicador para a educação
e o processo ensino e aprendizagem.
Daniela
Barros explica que são as análises ao conceito de virtual que nos
permitem vislumbrar um novo paradigma educativo “composto de tempo
e espaço diferenciados, criados a partir de reflexões e com
características e elementos próprios”. A autora destaca, no
âmbito da influência do virtual na educação, os seguintes
aspetos: “um novo espaço de informações, dados, conhecimento e
atualização”. Assim, “o virtual deve ser entendido como um novo
espaço peculiar e com características próprias, que possibilita à
educação tanto presencial como a distância, ferramentas, formas,
conteúdos e elementos que possibilitam a construção do
conhecimento”(Barros, 2010).
O
contexto do virtual tem características específicas como tempo e
espaço diferenciados, movimento contínuo, atualização constante,
rede, interação, inter-relação, associações, instantaneidade e
Desterritorialização. A
linguagem possui novos códigos, cada vez mais universais, além do
aparecimento de uma cultura que é específica pelos símbolos e
contextos criados por esses mesmos códigos, a cibercultura.
A
interatividade é um outro diferencial que possibilita ao sujeito
compartilhar, relacionar-se e obter respostas do virtual em sua vida
cotidiana, é a possibilidade de emergir em um outro tempo e
espaço.
A
facilidade ao acesso ao conhecimento é o que move o virtual em todos
seus sentidos, o acesso a informação e a sua atualização são o
grande diferencial que o virtual trouxe para a aquisição e produção
do conhecimento. Além do acesso ao conhecimento é essencial
destacar as questões do transdisciplinar. Podemos afirmar que o
virtual é o espaço onde o transdisciplinar pode efetivamente
desenvolver-se em plenitude, possibilitando desenvolver formas
pedagógicas no processo educativo.
Na
prática temos que entender como o virtual se apresenta nos
aplicativos e interfaces da internet e do computador.
O
virtual como forma, são todos os recursos técnicos que se
apresentam, os programas de computado, aplicativos... constituindo-se
em um potencial riquíssimo para o trabalho educativo, diferente de
trabalhar com os recursos comuns de sala de aula e da educação
tradicional.
O
virtual como conteúdo, são as possibilidades que esses recursos
técnicos apresentam em cada aplicativo e que podem servir para
potencializar o aprendizado, potencializando informações,
conhecimentos o processo ensino aprendizagem, onde a construção de
conhecimentos está além da escrita e da fala.
Concluindo,
ensinar no virtual significa não somente utilizar ferramentas e
aplicativos da internet, mas principalmente saber utilizar esses
aplicativos, softwares, interfaces e recursos como forma e como
conteúdo, aprender no virtual, deve-se ter o uso contínuo e a
aprendizagem pode ocorrer de maneira formal, informal e não formal.
O virtual é por si só um espaço de aprendizagens contínuas, que
nos oferece oportunidades de escolha e formas que nos ensinam na
medida em que temos de ler, assimilar e aprender as utilizar tanto
recursos como opções e serviços disponibilizados.
Referências:
Barros,D.
O virtual como novo espaço educativo,
2010
Texto_O_Virtual_como_espaco_educativo_Tema_1.pdf
LÉVY,P.
O que é o
virtual
BRASILhttp://books.google.pt/books?id=IeNw_sOADVEC&lpg=PP1&dq=o%20que%20%C3%A9%20o%20virtual&hl=pt-br&pg=PA7#v=onepage&q&f=false

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